O Copo e o Litro
(Conto de João Soares da Fonseca) Os dois eram de vidro, o copo e o litro. De repente, como num ataque de insensatez, começaram a bater boca. O litro, olhando de cima pra baixo, humilhava o copo: “Você é pequeno, copinho sem graça! Não cabe muita coisa em você. Mal colocam água em você, e você já está transbordando. Além disso, olhe o formato que você tem. Coisa mais sem graça. Agora, olhe para mim, bonito, esbelto, alto, atraente. Meu gargalo parece mais o pescoço de uma bela criatura humana, uma mulher elegante. Tenho o perfil de uma modelo. Morra de inveja, nanico. Sabia que quem nasceu para ser copo nunca chegará a litro?” O pobre do copo, tentando olhar o litro de igual para igual, gagueja a sua tentativa de resposta: “Como assim? Você está querendo me humilhar? Eu estou aqui, quieto no meu canto, e você, a troco de nada, vem perturbar a minha paz! Por que esse ódio gratuito? Que te fiz eu? E você está esquecendo que viemos do barro!”. “ Que agredir o quê, rapazinho? A verdade dó...