Crônicas de João Soares da Fonseca
A Mulher Que Não Virou Lagarta Com a partida de mamãe a 15 de abril, com quase 91 anos, em Vila Velha (ES), desembarco órfão no primeiro Dia das Mães sem ela. É uma sensação triste, porque todo ano ligava para ela nesse dia. Este ano não tive para quem ligar. A inspiração de sua vida não deixa de comportar alguns mistérios. Como é que alguém sofre tanto, desde os três anos de idade, e ainda assim consegue não cultivar a amargura? Sua via-crúcis começou com a separação dos pais em 1936. Cada uma das seis filhas do casal foi para uma casa diferente e distante. Genita foi morar com tios italianos, que por sua vez, não se destacavam exatamente pela demonstração de afeto. Privada de carinho, educação (“menina-mulher não precisa aprender a ler, pra quê? Pra escrever bilhete pra namorado?”) e até de comida, a menina às vezes se levantava com fome de madrugada e ia, pé ante pé, procurar comida. Os sinais de maus-tratos eram visíveis em seu corpo, como aquela cicatriz no alto da cabeça, c...
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